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O presente artigo se propõe a analisar historicamente o posicionamento de psicanalistas sobre a temática das transexualidades. Nosso interesse, diante da análise, é apresentar uma reflexão sobre a posição dos psicanalistas, perguntando-nos se tal posicionamento reforça, ou não, a estigmatização e patologização das experiências trans. Essa perspectiva nos permitiu pensar na hipótese de que a postura dos psicanalistas poderia ser transfóbica mesmo tendo a psicanálise uma posição de exteriorização às normatividades de sua época. Nas conclusões, indicamos que as transfobias psicanalíticas produzem percepções estereotipadas, negativas e atos discriminatórios, que deslegitimam as experiências trans como possíveis e fora do campo da psicopatologia. Tal apontamento reforça a necessidade de uma desconstrução da própria psicanálise para que possamos romper com os discursos opressivos, normativos e colonizadores pela via da psicanálise. Palavras-chaves: transexualidades, transfobias, teoria psicanalítica, dispositivos clínicos. 

Como citar: Stona, J., & Ferrari, A. G. (2020). Transfobias Psicanalíticas. Revista Subjetividades, 20 (1), e9778.

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O presente trabalho objetiva tecer uma reflexão acerca da constituição psíquica do sujeito proposta pela psicanálise, em conjunto com o conceito de gênero de Judith Butler, para repensar as problemáticas conceituais na leitura sobres os corpos e os processos de subjetivação na infância. Essa investigação foi realizada a partir de interrogações teórico-clínicas dos conceitos de prosódia significante e citacionalidade articulados com a escuta clínica de pessoas trans, que parecem tecer, em seus relatos, uma legitimação das manifestações cisgêneras e uma abjeção das manifestações transidentitárias. Tal entrelaçamento, entre clínica e teoria, apontou para a necessidade de utilizar os estudos de gênero como arejadores teóricos devido a leituras cisheteronormativas na infância, mesmo quando a psicanálise se propõe a pensá-la, desde a sua origem, polissêmica e polimorficamente. Ao percebermos como os corpos e as infâncias são marcadas por meio da citacionalidade e da prosódia significante, as quais pretendem manter um poder discursivo por meio da cisheteronormatividade, podemos reconhecer suas operacionalidades e constatar suas violências em diversos campos de saber, como a família, a escola, a saúde, a assistência social e cultura. Com tais fatos, se torna necessário abrirmos questões na teoria psicanalítica para que possamos repensar a forma da nossa escuta e da nossa intervenção frente a manifestações de gênero na infância que não estão em conformidade com a norma; para, assim, conseguirmos trabalhar pela via da singularidade, e não da normatividade devido a uma necessidade política. 

Como citar: Stona, J. (2018). A questão subjetiva na lógica da despatologização das transidentidades: uma perspectiva psicanalítica em diálogo interdisciplinar com perspectivas críticas. Clínica & Cultura v. 7, n. 1, jan-jun, p. 38-51.

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O presente ensaio teórico, que parte da escuta clínica psicanalítica de pessoas trans, tem por objetivo refletir sobre estratégias locais de conhecimento encontradas, nesta experiência, para uma escuta não cisnormativa com a psicanálise. A metodologia utilizada para compor este trabalho foi em forma de um relato de experiência que visa a mostrar os acontecimentos de um percurso singular de formação independente em psicanálise, diante dos confrontos com a teoria, a clínica, a supervisão e a escuta. Constatamos, então, nesse breve ensaio, que a sustentação de uma escuta não cisnormativa necessita, primeiro, de um desmonte da escuta, ou seja, não um abandono completo da teoria, mas um desencaixe, um deslocamento, uma subversão a cada vez que preceitos cisnormativos se instalem, no intuito de não produzir condições prévias de inteligibilidade e diagnósticos precipitados diante das questões de gênero.

Como citar: Stona, J. (2020). Ensaio para uma escuta não cisnormativa na psicanálise. In. Iran Ferreira de Melo; Natanael Duarte de Azevedo. (Org.). Corpos dissidentes, corpos resistentes: do caos a lama. 1. ed. Campina Grande . Realize Editora.

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O artigo, em um primeiro momento, tem por objetivo discutir historicamente o conceito de cissexismo. Em um segundo momento, visa a demonstrar como esse conceito pode se transformar em uma regra não escrita da teoria psicanalítica freudiana se o analista não estiver atento às demandas da clínica e à cultura de seu tempo. Neste artigo, justifica-se que os estudos de gênero são ferramentas clínicas de arejamento teórico para que os psicanalistas não cometam atitudes normativas, violentas e estigmatizantes na clínica.

 

Como citar: Stona, J; Ferrari, A. G. O cissexismo como uma norma não escrita da psicanálise (ou: para que serve o gênero à clínica?). Periódicus, Salvador, n. 13, v.2, pp. 102-118.

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Esta obra está organizada a partir de um trabalho narrativo feito, principalmente, por profissionais da psicologia que, quando pensam seus fazeres clínicos, éticos e políticos, levam em consideração, não como elemento central, mas como elemento não passível de isenção, os atravessamentos singulares das relações de gênero (sejam eles de raça, etnia, classe, gênero, orientação sexual, religião, deficiência, nacionalidade etc.). São, além disso, autores que, em seu campo de atuação, deixam que a clínica seja primária em relação à teoria e fazem dos seus corpos ações políticas, partindo do pressuposto de que a sua teoria, independentemente da linha teórica adotada, não é imparcial frente a estigmas, violências e discriminações.

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